segunda-feira, 19 de julho de 2010

Chegou tarde. Olhou até a parede na qual se encontrava o relógio redondo com números romanos. IIII horas. Não IV, nem 4h. IIII e 1 minuto, pra ser mais exato. E 23 segundos. Era uma pêndula do antiquário da esquina. Bonita, mas velha. Bem velha, com raspas nos cantos, e de um castanho surrado. Mas bela. E fazia tum nas horas cheias. Frio. Esquecera as vidraças abertas. Assim escutava agora o vento assoviar. Parece gente, só que mais agudo. E bate na janela. E nos vidros. Soltos. Não, frouxos. Precisa arrumar. Também isto. Pega o vinil e coloca na vitrola. Também antiga. Não da lojinha da esquina, da outra. A valsa é tocante. Mistura de violino, piano e regência orquestral. Uma avant-gard. Suave. Doce. Como o vinho no cálice. Um vinho tinto, como agora suas brancas faces. Precisa mudar. Vira e se acomoda na escada. Sente o calor da madeira. O úmido. Tum. V horas. Pensa no sono. Ou no sonho. Bebe mais um gole. O líquido desce lentamente por sua garganta. Suspira. Escuta a melodia. Fecha os olhos e sente. Sente. O quê? A alma? Essa se esvairou por seus dedos. Foi? Como quem? Precisa esquecer. Rever? Reviver? Re-sofrer? Bebe. Sente o calor no pescoço. O vinho é tinto. Como o sangue. Que é quente. Também. E corre pelo pescoço. E desce pelo corpo. Como o líquido. Que ela toma pra esquecer. Ver? Ouvir. A melodia. Fina, macia. Que faz dueto com o vento. Frio, quente. Que bate na janela, e empurra as cortinas. Brancas. Como suas mãos. Mãos que escrevem pra esquecer. Outra vez.

Tum.

domingo, 18 de julho de 2010

Cinema Coreano




Pessoal!
Enquanto não crio um novo blog para comentar os filmes que assisto, utilizarei este para tal fim.

Nessa "estréia", começo citando o último longa por mim visto, do coreano Kim Ki-Duk.
Pois bem, Casa Vazia (Bin-jip - 2004) foi o segundo filme que vi deste curioso diretor, e o que mais me chamou atenção em ambos foi a comunicação entre as personagens.
Com exceção de algumas secundárias, as personagens muito pouco falam durante as cenas, correspondendo-se com gestos e, principalmente, com o olhar.
No filme em questão, como em O Arco, o roteiro é muito original e seu desfecho pouco previsível.
Poético e com uma trilha inspirada, vale a pena ser visto. O que, do meu ponto de vista, desfavorece o mesmo são as cenas um tanto fantasiosas, mas como a própria obra admite: "It's hard to tell that the world we live in is either a realy or a dream".

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ela cansou, se desatou, ela se ausentou. Comprou uma paixão na vitrina que não servia nem pra ilusão. Sentiu-se um cão. Decidiu fugir, mentir, cair. Saltou de uma nuvem e caiu na lama. Subiu pelas cores do arco-íris, mas via tudo em preto e branco. Esperou. Reacreditou. Caiu em si e sumiu. Tomou um trem, perdeu seu bem, chorou. Acordou e sonhou. Amarelou. Ela não sonha. Nunca sonhou. Mas crê que sonha. Sua vida é medonha. Seu medo é seu desejo. Ter desejo é o pecado. Seu pecado não experimentado. Ela cansou, ela casou. Ela se calou. Agora ela está bem. Zen. Sem.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Que saudaaade de postar aqui!!!
Estou tão cheia de coisas pra fazer que acabo não fazendo nada, inclusive não postando mais, muito menos escrevendo algo que preste! Não que isso seja de grande importância pro mundo, rs, mas queria produzir boas histórias, cheias de sentimentos, emoções, dúvidas, anseios, cheiros, cores, sabores.. É, estou sem inspiração MESMO! De qualquer forma pouparei a minha querida e única visitante desse blog (eu) de ler músicas românticas ou coisas melosas como sempre, rs!

Beijocas

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Estava agora estudando alemão (coisa que deveria fazer mais seguidamente) e encontrei um poema de um certo autor chamado Robert Gernhardt. Bem, não sei direito quem é o cara para explicar aqui, só que ele é um escritor alemão (isso tava implícito, eu sei, rs). Tentei traduzir o texto, e talvez tenha ficado tosquíssimo, mas postarei aqui. Caso alguém saiba traduzir de modo mais fiel...


" Ich habe ein grosses Gefühl für dich.

Wenn ich an dich denke,
gibt es mir einen Schlag.
Wenn ich dich höre,
gibt es mir einen Stoss.
Wenn ich dich sehe,
gibt es mir einen Stich:
Ich habe ein grosses Gefühl für dich.

Soll ich es dir vorbeinbringen,
oder willst du es abholen?"

Traduzindo...
"Eu tenho um grande sentimento por ti.

Quando eu penso em ti,
sinto uma pancada.
Quando eu te escuto,
Sinto um golpe.
Quando eu te vejo,
sinto uma pontada:
Eu tenho um grande sentimento por ti.

Devo levar adiante,
ou tu preferes vir buscar?"

sexta-feira, 24 de julho de 2009


If you, if you could return, don't let it burn, don't let it fade.

I'm sure I'm not being rude, but it's just your attitude,
It's tearing me apart, It's ruining everything.

I swore, I swore I would be true, and honey, so did you.
So why were you holding her hand? Is that the way we stand?
Were you lying all the time? Was it just a game to you?

But I'm in so deep. You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger, ah, ha, ha.
Do you have to let it linger? Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger?

Oh, I thought the world of you.
I thought nothing could go wrong,
But I was wrong. I was wrong.
If you, if you could get by, trying not to lie,
Things wouldn't be so confused and I wouldn't feel so used,
But you always really knew, I just wanna be with you.

But I'm in so deep. You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger, ah, ha, ha.
Do you have to let it linger? Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger?

And I'm in so deep. You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger, ah, ha, ha.
Do you have to let it linger? Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger?

You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger, ah, ha, ha.
Do you have to let it linger? Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Os versos que te fiz


Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !


Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca