sábado, 24 de julho de 2010





Há algum tempo tenho me interessado deveras por filmes fora do circuito comercial. Ou, como dizem, os filmes estranhos que eu vejo, rs. Pois bem, nada mais justo do que partilhar das minhas boas e, por que não, das más experiências.

Anteriormente teci alguns breves comentários sobre o filme do Kim Ki-Duk. A idéia agora é poder falar mais sobre as obras de modo a convencer o leitor de assisti-la ou não.

Na verdade não é nada pretensioso: exponho minhas opiniões com a intenção de fazer com que as pessoas conheçam obras belíssimas que muitas vezes não sabem de sua existência porque a mídia só comenta os filmes norte-americanos água-com-açúcar. Mas sim, não vou dizer que não assisto a esses últimos, pois também os vejo.

Buenas, chega de lero-lero. O que eu quero indicar hoje é um diretor/roteirista, e não um filme. Chama-se Majid Majidi, iraniano, e com uma sensibilidade incrível. Foi indicado para o prêmio de melhor filme estrangeiro, com Filhos do paraíso, mas perdeu para A vida é Bela, de Benigni.
De sua direção, vi apenas dois filmes: o supracitado Filhos do Paraíso (no original, Bacheha-Ye aseman), e A cor do Paraíso (Rang-e Khoda). Há ainda outros, mas por mim desconhecidos: Entre luzes e sombra, e A canção dos pardais.
Viddy well, little brother, os filmes são simplesmente demais!!! As personagens principais, de ambos, são crianças iranianas combinadas com suas dificuldades, sejam físicas ou sociais.

Em A cor do Paraíso (meu preferido, diga-se de passagem), a personagem principal chama-se Mohamed, um menino cego que vive numa escola para deficientes visuais, mas que volta para sua família no tempo das férias. Apesar do amor de suas irmãs e sua avó, o menino é um tanto “recusado” por seu pai, viúvo, e que vê a deficiência do filho como um castigo de Deus.
Apesar de suas dificuldades, o menino consegue “ver” as cores do mundo ao seu redor, por meio de sons, toques, cheiros... É fantástico! Tocante e sensibilíssimo, me fez chorar horas, além do tempo do filme, rs. Gente, vejam!!!

Já o outro, Filhos do paraíso, é um pouco mais ‘light’, MAS nem por isso menos emocionante. A história conta a vida de uma pobre família iraniana, que é bem contrastada com a riqueza de alguns no meio do filme.
Ali, o filho mais velho do casal, é encarregado de buscar o sapatinho de sua irmã, que está no sapateiro. Ocorre que, na volta para casa, por uma pequena fatalidade, o menino acaba perdendo o par de sapatos, os únicos que a menina possui para ir à escola todas as manhãs.
Vendo a tristeza da irmã e sentindo-se culpado em demasia pela perda, Ali implora à sua irmã Zahra que não conte aos seus pais o ocorrido, tanto porque ele apanhará, como também pois os mesmos não têm dinheiro para adquirir outro, e isso só acarretará em mais aborrecimentos para ambos. Assim, empresta seus sapatos à menina, enquanto busca uma maneira de consertar sua falta.
Lindo demais, um filme simples que consegue explorar o sentimento humano de maneira que grandes produções não conseguiram.

Pessoal, assistam ambos! Garanto que não se arrependerão!

Beijocas

quinta-feira, 22 de julho de 2010



Olá!!!
Estou lendo Guerra e Paz, do noso querido amigo Tolstoi, e não poderia deixar de publicar algumas passagens. Aí vão elas:

(...) Mas não, vejamos a vergonha, a ignomínia, tudo isso é relativo e deixa minha personalidade fora de jogo. Eles executaram Luís XVI, porque “eles” o tinham como um criminoso sem honra, e tinham razão, do seu ponto de vista; mas os que sofreram o martírio por ele e o colocaram no rol dos santos não tinham igualmente razão? Executou-se em seguida Robespierre, porque era um déspota... Quem tem razão? Quem não tem razão? Ninguém. Aproveita da vida enquanto viveres; amanhã morrerás, como poderia eu ter morrido há uma hora. Vale a pena atormentar-se a gente, quando o pouco tempo que nos resta para viver não é mais que um segundo em face da eternidade?

(...) Que é o mal, que é o bem? Que é preciso amar, que é preciso odiar? Por que é preciso viver e que é o eu? Que é a vida, a morte? E qual é a força que dirige tudo? Só encontrava para todas essas perguntas uma resposta, que não era uma, aliás “Morrerás um dia e tudo acabarás. Morrerás e saberá tudo, ou cessarás de fazer perguntas a ti mesmo.” Mas morrer era também uma coisa terrível.

(...) A sabedoria, a verdade suprema é como um licor muito puro, que desejamos absorver. Poderei julgar-lhe a pureza, se o verto num vaso sujo? Só depois de uma purificação do seu ser íntimo é que posso levar esse precioso licor a certo grau de pureza.




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Chegou tarde. Olhou até a parede na qual se encontrava o relógio redondo com números romanos. IIII horas. Não IV, nem 4h. IIII e 1 minuto, pra ser mais exato. E 23 segundos. Era uma pêndula do antiquário da esquina. Bonita, mas velha. Bem velha, com raspas nos cantos, e de um castanho surrado. Mas bela. E fazia tum nas horas cheias. Frio. Esquecera as vidraças abertas. Assim escutava agora o vento assoviar. Parece gente, só que mais agudo. E bate na janela. E nos vidros. Soltos. Não, frouxos. Precisa arrumar. Também isto. Pega o vinil e coloca na vitrola. Também antiga. Não da lojinha da esquina, da outra. A valsa é tocante. Mistura de violino, piano e regência orquestral. Uma avant-gard. Suave. Doce. Como o vinho no cálice. Um vinho tinto, como agora suas brancas faces. Precisa mudar. Vira e se acomoda na escada. Sente o calor da madeira. O úmido. Tum. V horas. Pensa no sono. Ou no sonho. Bebe mais um gole. O líquido desce lentamente por sua garganta. Suspira. Escuta a melodia. Fecha os olhos e sente. Sente. O quê? A alma? Essa se esvairou por seus dedos. Foi? Como quem? Precisa esquecer. Rever? Reviver? Re-sofrer? Bebe. Sente o calor no pescoço. O vinho é tinto. Como o sangue. Que é quente. Também. E corre pelo pescoço. E desce pelo corpo. Como o líquido. Que ela toma pra esquecer. Ver? Ouvir. A melodia. Fina, macia. Que faz dueto com o vento. Frio, quente. Que bate na janela, e empurra as cortinas. Brancas. Como suas mãos. Mãos que escrevem pra esquecer. Outra vez.

Tum.

domingo, 18 de julho de 2010

Cinema Coreano




Pessoal!
Enquanto não crio um novo blog para comentar os filmes que assisto, utilizarei este para tal fim.

Nessa "estréia", começo citando o último longa por mim visto, do coreano Kim Ki-Duk.
Pois bem, Casa Vazia (Bin-jip - 2004) foi o segundo filme que vi deste curioso diretor, e o que mais me chamou atenção em ambos foi a comunicação entre as personagens.
Com exceção de algumas secundárias, as personagens muito pouco falam durante as cenas, correspondendo-se com gestos e, principalmente, com o olhar.
No filme em questão, como em O Arco, o roteiro é muito original e seu desfecho pouco previsível.
Poético e com uma trilha inspirada, vale a pena ser visto. O que, do meu ponto de vista, desfavorece o mesmo são as cenas um tanto fantasiosas, mas como a própria obra admite: "It's hard to tell that the world we live in is either a realy or a dream".

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ela cansou, se desatou, ela se ausentou. Comprou uma paixão na vitrina que não servia nem pra ilusão. Sentiu-se um cão. Decidiu fugir, mentir, cair. Saltou de uma nuvem e caiu na lama. Subiu pelas cores do arco-íris, mas via tudo em preto e branco. Esperou. Reacreditou. Caiu em si e sumiu. Tomou um trem, perdeu seu bem, chorou. Acordou e sonhou. Amarelou. Ela não sonha. Nunca sonhou. Mas crê que sonha. Sua vida é medonha. Seu medo é seu desejo. Ter desejo é o pecado. Seu pecado não experimentado. Ela cansou, ela casou. Ela se calou. Agora ela está bem. Zen. Sem.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Que saudaaade de postar aqui!!!
Estou tão cheia de coisas pra fazer que acabo não fazendo nada, inclusive não postando mais, muito menos escrevendo algo que preste! Não que isso seja de grande importância pro mundo, rs, mas queria produzir boas histórias, cheias de sentimentos, emoções, dúvidas, anseios, cheiros, cores, sabores.. É, estou sem inspiração MESMO! De qualquer forma pouparei a minha querida e única visitante desse blog (eu) de ler músicas românticas ou coisas melosas como sempre, rs!

Beijocas

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Estava agora estudando alemão (coisa que deveria fazer mais seguidamente) e encontrei um poema de um certo autor chamado Robert Gernhardt. Bem, não sei direito quem é o cara para explicar aqui, só que ele é um escritor alemão (isso tava implícito, eu sei, rs). Tentei traduzir o texto, e talvez tenha ficado tosquíssimo, mas postarei aqui. Caso alguém saiba traduzir de modo mais fiel...


" Ich habe ein grosses Gefühl für dich.

Wenn ich an dich denke,
gibt es mir einen Schlag.
Wenn ich dich höre,
gibt es mir einen Stoss.
Wenn ich dich sehe,
gibt es mir einen Stich:
Ich habe ein grosses Gefühl für dich.

Soll ich es dir vorbeinbringen,
oder willst du es abholen?"

Traduzindo...
"Eu tenho um grande sentimento por ti.

Quando eu penso em ti,
sinto uma pancada.
Quando eu te escuto,
Sinto um golpe.
Quando eu te vejo,
sinto uma pontada:
Eu tenho um grande sentimento por ti.

Devo levar adiante,
ou tu preferes vir buscar?"